Crédito: Foto Jorge Gontijo/Estado de Minas

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Marcelo Ramos desceu para a entrevista, no hotel em Taguatinga onde o Ipatinga estava hospedado para enfrentar o Brasiliense, em 2009, com um sorriso largo. Havia acabado de receber um telefonema do craque cruzeirense Sorín:

- O argentino acabou de me ligar. Quer que eu participe da despedida dele, no Mineirão, contra o Argentinos Juniors.

- E você vai?

- Vou precisar conversar com a diretoria do Ipatinga. Mas quero muito comparecer, para prestigiar o Sorin e rever a torcida do Cruzeiro.

Percebi o atacante um pouco dispersivo, pensativo no início da entrevista. Voltei, então, no assunto e perguntei se ainda estava mexido com o convite.

- Na verdade, estou me imaginando no lugar do Sorin. Há algum tempo carrego o sonho de encerrar a carreira num jogo de despedida com a camisa do Cruzeiro. Não sei, porém, se tenho credenciais para merecer isso.

Ontem, o quinto maior artilheiro da história do Cruzeiro, com 162 gols, acertou mais um contrato profissional. Dessa vez, vai defender as cores do Ypiranga, da Bahia, na segunda divisão do campeonato baiano.

Autor do gol que deu ao Cruzeiro um dos mais emocionantes títulos da história do Clube, a Copa do Brasil em 1996, contra o Palmeiras, no Parque Antártica, Marcelo Ramos está com 39 anos. Nitidamente, reluta em largar os campos.

Parece ainda dar fôlego ao seu sonho de, pela última vez, vestir a camisa cinco estrelas. Para isso, contrariou as próprias palavras do Marcelinho Ramos, seu filho, que, em conversa recente comigo, confirmou a aposentadoria do pai.

O Flecha Azul da década de 90, portanto, não desistiu do sonho. Quer um “adeus” dos gramados mais próximo da torcida celeste, que em 1997, na final do Mineiro, entoou o cântico “Uh, terror, Marcelo matador” e o ajudou a ser o autor do gol com o maior número de testemunhas da história do Gigante da Pampulha.

Acreditando na relevância de Marcelo Ramos na história do Cruzeiro, o blog Cruzeiro nos Anos 90 inicia uma campanha de apoio a uma partida de despedida do ídolo celeste.

O quinto maior artilheiro da história do Clube e autor dos gols dos títulos da Copa Master de 95, da Copa do Brasil de 96 e do Mineiro de 97, como se vê, tem credenciais suficientes para isso. E merece a honraria de, assim como Sorín, receber uma festa de despedida.

Portanto, você, torcedor celeste, que concorda com a campanha, manifeste-se neste espaço e nas redes sociais. Já temos no Facebook uma página de apoio: http://on.fb.me/KmWI25. Faça sua adesão.

Vamos levar a proposta aos departamentos de Marketing e Futebol do Cruzeiro. E assim, quem sabe, realizar o sonho de um dos maiores ídolos celestes na década de 90.

Quando, na noite do dia 13 de agosto de 1997, dei as costas para o Mineirão e retornei ao hotel, extenuado de alegria pelo bicampeonato da Libertadores da América, não imaginava que a página daquela conquista, para mim, ainda não estava completamente escrita.

Apenas no dia 29 de março último, essa história ganhou traços finais. E, como dos atletas na noite do bicampeonato, em grande estilo.

Eu e o ex-presidente Zezé Perrella, no gabinete do Senado Federal

É que estive, nessa data, no gabinete do senador e ex-presidente cruzeirense Zezé Perrella, para convidá-lo para o lançamento do Anos 90: Um campeão chamado Cruzeiro em Brasília.

Mais do que com o convite - embora tenha prontamente se comprometido a ir -, Zezé Perrella demonstrou entusiasmo com o livro. Segundo ele, há muito tempo o tema merecia um trabalho literário. 

 A cada folheada, ele contava episódios do período. Nessa toada, o papo se prologou.

Até que, percebendo o adiantar da hora, Zezé Perrella cortou o assunto, levantou-se, dirigiu-se à estante do gabinete e tirou de lá a medalha de campeão da Libertadores da América.

O presente

Demorei a acreditar que aquilo era um presente. Mas, sob o argumento de que meu trabalho era merecedor daquela retribuição, o ex-presidente cruzeirense confirmou que a relíquia era para mim.

Senti-me novamente com 13 anos, quando fui ao Mineirão pela primeira vez e vi o capitão Wilson Gottardo vertendo a medalha sobre o peito e erguendo a Copa Libertadores da América.

Com a medalha em mãos, vivi uma emoção impossível de definir. Trata-se da honraria maior do mais valioso título do Cruzeiro na década de 90 sob meu domínio.

Tenho dito que escrever o Anos 90: Um campeão chamado Cruzeiro já valeu pelo fato de ter me aproximado ainda mais da história do Maior de Minas.

No entanto, despenderia novamente todo empenho e esforço para realizar esta obra, caso a única recompensa fosse receber, das mãos do ex-presidente Zezé Perrella, a sua medalha de campeão da Libertadores da América.

Sinto-me, portanto, um privilegiado. E sigo na certeza de que tudo valeu a pena.

Harlei, Dida e William Andem: trio de respeito

Harlei, Dida e William Andem: trio de respeito

 Ninguém entendeu quando William Bassey Andem desembarcou no Brasil para ser “guarda-redes”, como ele mesmo se definia, do Cruzeiro. 

O futebol africano era um mercado raro. Dificilmente se via um clube daqui ousando e contratando um atacante ou meia de lá. O que dirá um goleiro camaronês… Era para lá de esquisito. 

Foi sob essa desconfiança que William Andem chegou ao Maior de Minas, no primeiro semestre de 1994.  Veio, na ocasião, adquirido do Olympic Mvolyé, de seu país de origem. Exibia o cartaz de ser goleiro reserva da seleção camaronesa. 

A regularidade de Dida no gol celeste, porém, abriu raríssimas oportunidades para o gringo. Com a camisa celeste, em 2 anos e meio de Clube, ele atuou “apenas” 45 vezes. Levou ao todo 35 gols. 

Temperamental, entrou para a história do clássico Cruzeiro e Atlético por desferir um soco em Gutemberg, do rival. Na ocasião, o juiz viu uma irregularidade num lance de ataque do Atlético e paralisou o jogo, mas Euller finalizou para o gol. 

A torcida rival comemorou, e Andem, irritado, chutou o atacante adversário. Na hora, Gutemberg foi tirar satisfações com o arqueiro. Este não aceitou as peitadas e, sem pensar, soltou um murro no volante atleticano. 

Resultado: os dois foram expulsos, o que acabou sendo lucro para o Cruzeiro, que venceu, por 2 a 1, o jogo válido pela 1ª fase do Campeonato Mineiro. 

Embora “pavio curto”, William Andem era reconhecido, no elenco cruzeirense, como uma figura alegre e descontraída. Na Toca da Raposa, quando alguém avistava, de longe, uma roda às gargalhadas, não tinha dúvidas de que o camaronês estarva lá. 

Em 1997, curiosamente William Andem foi para Salvador, famosa por ser a terra da alegria no Brasil. Transferiu-se para o Bahia, onde atuou, como titular, entre 1997 e 98. 

Neste último ano, alcançou a convocação para a Copa da França. Foi o reserva imediato de Jacques Songo’o, no Mundial. 

De lá, partiu para o Velho Mundo. Foi defender as cores do Boavista, de Portugal. Ficou por lá de 1998 até 2007. 

Em 2000, como arqueiro titular da equipe, conquistou o inédito e histórico campeonato português para o Boavista. Por isso, é hoje um dos ídolos do clube portuense. 

Encerrou a carreira em 2008, após jogar uma temporada pelo Feirense, também de Portugal. 

Da passagem pelo Maior de Minas, ficaram os títulos (Copa Master -95, Copa Ouro – 95, Campeonato Mineiro – 94 e 96 – e Copa do Brasil – 96), as defesas plásticas e, claro, a alegria contagiante desse africano boa praça. 

 

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Um sucesso. Assim pode ser definida a noite de lançamento do livro Anos 90: Um Campeão Chamado Cruzeiro, que aconteceu no último dia 10, em Brasília.

Às 19 horas, cruzeirenses e não-cruzeirenses – estes presentes pela amizade com o autor – começaram a lotar o restaurante Carpe Diem.

A ilustre presença de Wilson Gottardo, capitão cruzeirense na conquista da Libertadores da América de 1997, foi um dos pontos altos da noite. Além de distribuir muitos autógrafos e atender a todos para fotografias, o “Xerife” contou causos da época de jogador.

Quem também enriqueceu o evento com a presença foi o ex-presidente cruzeirense e atual senador Zezé Perrella. Atencioso, atendeu a todos com bom humor. Fez questão, ainda, de relembrar, nas rodas por onde passou, das grandes conquistas celestes na década de 90, como a Copa do Brasil de 96 e a Copa Libertadores de 97.

Outros ilustres passaram por lá. O cruzeirense Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, Ministro do Tribunal Superior do Trabalho,  foi um dos que prestigiaram o evento.

Amigos do trabalho – todos advogados, como eu - também marcaram presença.

Minha amada esposa…

Meus pais…

Minha irmã e cunhado…

Amigos…

E, claro, vários cruzeirenses da Capital…

…também fizeram questão de comparecer e lotar o tradicional ponto brasiliense para lançamento de livros.

O saldo foi de quase duzentas pessoas presentes e 142 livros vendidos. Sem dúvida, historicamente, um dos mais prestigiados eventos alusivos ao Cruzeiro em Brasília.

Agora, a próxima parada acontecerá em Belo Horizonte, no dia 20 de maio, na Bienal do Livro de Minas, para o segundo e último lançamento do Anos 90: Um Campeão Chamado Cruzeiro.

Até lá, China Azul.

Está chegando a hora!

Na próxima terça-feira, dia 10, acontecerá, em Brasília, o lançamento do livro Anos 90: Um campeão chamado Cruzeiro, no restaurante Carpe Diem, da 104 Sul, a partir das 19 horas.

Será a oportunidade de o cruzeirense de Brasília adquirir (a preço promocional) essa obra que narra todas as conquistas do Maior de Minas na década de 90, revela a carreira de dez ídolos e, ainda, conta oito histórias emocionantes do período.

Para abrilhantar ainda mais o evento, o ex-jogador e treinador Wilson Gottardo, capitão do Cruzeiro na conquista da Copa Libertadores de 97, comparecerá. Ele estará à disposição do torcedor para autografar o livro, tirar fotografias e bater um papo sobre a passagem pela Raposa.

Outras surpresas estão sendo preparadas para essa grande noite.

Compareça, torcedor celeste! Vamos, mais uma vez, mostrar a força da China Azul na Capital Federal.

Na última quinta-feira, estive com o ex-presidente cruzeirense Zezé Perrella e ouvi uma história que merece registro por aqui.

Aconteceu na partida decisiva da final da Copa do Brasil de 1996, entre Palmeiras e Cruzeiro, no Palestra Itália. Na ocasião, segundo o atual senador, o Cruzeiro foi tratado como pequeno.

- Assisti a partida da tribuna de honra do Parque Antártica, com o Ricardo Teixeira e o Mustafá Contursi, então presidente do Palmeiras. Quando o Palmeiras marcou o gol, os dois começaram a me consolar. Disseram que eu era jovem, que ainda conquistaria muitas coisas pelo Cruzeiro. Fiquei calado, não retruquei. Sabia que o time do Palmeiras era uma seleção, mas confiava na virada no placar e, principalmente, na grandeza do Cruzeiro. Além disso, já era vivido o suficiente para saber que futebol apronta das suas. Eles eram favoritos, porém tudo é possível nesse esporte.

A melhor parte da história Zezé contou-me com um sorriso de quem, até hoje, guarda boas memórias daquele 19 de junho de 1996.

-  Quando o Cruzeiro empatou, ainda no primeiro tempo, Ricardo e Mustafá pararam de me consolar. Acho que caíram na real de que se tratava de uma final de futebol. Na segunda etapa, por volta dos 35 minutos, os dois desceram para o gramado. Eles não viram o gol do Cruzeiro, aos 37. Acho que foi bom para eles, pois, depois de tudo o que me falaram, ficariam sem graça se estivessem ao meu lado.

Para arrematar a história, ele revelou:

- Foi o título mais emocionante que conquistei. Quando o juiz apitou, desci correndo para o campo. Era tanta alegria que eu dava cambalhotas no gramado.

Quanto ao Mustafá, Zezé me garantiu que não o viu mais naquele dia. Mais um boquirroto que o futebol tratou de dar uma lição.

Nonato chegou, em dezembro de 1990, sem chamar a atenção. Precisava vencer a desconfiança de muitos dentro do Clube e provar que o convite do Seu Pedro Assunção para deixar o Pouso Alegre para um período de treinos na Toca era em razão de sua qualidade técnica.

Nesse período de testes, morou na Toquinha. A família ficou aguardando, em Pouso Alegre, uma definição do futuro. Nonato sabia que era a oportunidade de sua vida. Dedicou-se como nunca. Tanto que o que era para durar 3 meses resolveu-se em único mês.

Ao final do primeiro mês, o lateral potiguar, de infância pobre e marcas da vida estampadas no rosto, recebeu o “sim” da comissão técnica cruzeirense. Era o início de uma trajetória para lá de vitoriosa de um dos maiores laterais esquerdos da história do Cruzeiro.

Lateral esquerda, aliás, que ele desempenhou anos a fio com a camisa celeste mesmo sendo destro. A explicação para isso está no fato de, durante muito tempo no futebol nordestino, ter sido improvisado na esquerda, quando na verdade era o meia armador das equipes locais. Acabou se adaptando e adotando definitivamente a posição.

O título da Supercopa, em 1991, foi o primeiro de expressão na carreira dele. Por isso, ainda hoje, considera esta conquista a mais marcante. “Vencer, em plena final, o River Plate por 3 a 0 foi espetacular”, disse em entrevista para o livro Anos 90: Um campeão chamado Cruzeiro.

Depois desse título, vários outros vieram com a camisa celeste. Ao todo, Nonato conquistou quatro estaduais (1992, 94, 96 e 97), duas Supercopas (1991 e 92), duas Copas do Brasil (1993 e 1996), uma Copa Master (1995), uma Copa Ouro (1995) e uma Libertadores da América (1997), sem contar títulos de menor expressão, como a Copa dos Campeões Mineiros (1991) e Copa Dome (1994).

Além de pé quente para conquistar títulos, Nonato revelava-se um grande líder dentro do Clube. Costumava ser ouvido por todos – diretores, treinadores e jogadores. Exerceu, em determinados momentos, a função de capitão da equipe. E fazia valer a missão delegada.

A prova disso é que, no histórico 5 a 3 sobre o Botafogo, pelo Brasileirão de 1995, no Mineirão, Nonato foi quem tomou a palavra no vestiário, após a virada do Botafogo ainda na primeira etapa para 3 a 2, e determinou que todos erguessem a cabeça, pois iriam virar a partida. Viu-se, no segundo tempo, um massacre cruzeirense.

Pela liderança em campo e espírito vencedor, Nonato não demorou a ostentar status de ídolo perante o torcedor celeste. Era sempre respeitado pela torcida, até em momentos de crise.

A longa permanência no Cruzeiro, desde 1990, tornou-o muito identificado com Clube, mesmo após ter partido para o Rio de Janeiro, onde atuou pelo Fluminense, em dezembro de 1997.

Depois, já aposentado dos gramados, voltou ao Clube para desempenhar a função de observador técnico. Permaneceu nela durante 3 anos, quando foi alçado ao cargo de coordenador da função. 

Atualmente, embora não esteja mais diretamente vinculado ao Cruzeiro, Nonato ainda participa de eventos ligados ao Clube, tanto no Showbol, quanto no time Master.

Tudo isso em razão de sua paixão pelo Maior de Minas. “Já está no sangue”, garantiu o ídolo cruzeirense no Anos 90: Um campeão chamado Cruzeiro.

O Cruzeiro nos Anos 90 segue com a série “Golaços da década de 90″ e mostra mais uma pintura do Maior de Minas no período.

O artista da vez é o volante Ricardinho, ídolo celeste e recordista de títulos com a camisa celeste.

O gol (veja aqui) aconteceu contra o América-MG, em outubro de 1998, e fechou a goleada cruzeirense por 4 a 1 sobre o rival.

Com um chute certeiro e indefensável, Ricardinho fez jus à expressão do famoso locutor e colocou a bola “onde a coruja dorme”. Um chutaço no ângulo bem ao estilo do Mosquitinho Azul.

Vale a pena conferir essa preciosidade.

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Atenção, cruzeirenses da Capital Federal:

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